Com 15 anos de internet e mais algum tempo em BBS, aprendi algo que, hoje em dia, as pessoas já reparam rapidamente em poucos meses de uso na internet: A idade cronológica das pessoas não quer dizer absolutamente nada. Experiência, idade, tempo de serviço ou de uso de técnicas e recursos realmente não valem nada. Se na vida real as empresas também começam a notar que diploma, "papel" e cursos falham perante o profissionalismo e empenho real das pessoas, o mesmo pode ser dito para a responsabilidade e maturidade das pessoas tanto lidando em situações sociais, como em discussões ou áreas de conhecimento. A muito o infame Q.I. já é despresado e considerado um retrocesso (e tem empresa que usa e acha que quer dizer alguma coisa, vai entender).Números não querem dizer nada quando se trata de inteligência ou responsabilidade.
Profissionalmente, muitos programadores e analistas tem mais tempo de "serviço", ou "experiência", do que eu mesmo - e muitos tem práticas mediocres e perigosas em seu ramo de trabalho, trabalhando literalmente no mais fácil, no mais rápido, e porque não ser honesto: no que precisa pensar menos. São pessoas "experientes" que cometem erros básicos uma vez atrás da outra, cujo trabalho possui erros e imperfeições grotescas, mas que os clientes, sem poder ou entender o funcionamento interno do que comprou, não percebe. Torna-se "comum" que computadores tenham defeitos e sejam "difíceis" de usar, que produtos eletrônicos quebrem em 1 ano, que um site seja lento e sujeito a hackers (na verdade, script-kids) ... não é verdade. Um profissional responsável, que tem orgulho do que faz, sabe muito bem que tudo isto é fruto da mediocridade e preguiça dos pseudo-profissionais com anos e mais anos de experiência. São tantos anos de experiência anencéfala que até mesmo argumentos e opiniões para explicar porque algo deve ser feito assim ou assado falham e caem na desculpa comum: "mas eu tenho mais experiência, sei do que estou falando".
E a mediocridade impera.
Mas se isto já dificulta muito o ramo profissional, também não devemos esquecer que isto se aplica ainda mais no ramo social, nas interações entre pessoas, na forma como cada um age e vive. A muito tempo ignoro por completo contagens de "quantidade": idade, portfolio, quanto ganha (!?), quanto tempo estuda ou trabalha em algo... são medidas quantitativas que de nada implicam em qualidade, muito pelo contrário, quem mais se gaba de medidas quantitativas, provavelmente quer ocultar a falta de "dons" em termos qualitativos.
Pegue por exemplo julgar a opinião de pessoas a partir do quão são "conhecidas", de sua "idade", ou da quantidade de "diplomas" que ela tem em um assunto. Os super experientes técnicos diplomados com vários anos de prática que projetaram, construiram e programaram a bilionária sonda espacial Mars Surveyor '98 se confundiram com medidas métricas e britânicas, causando o software a fazer cálculos errados que fadaram a sonda a cair em Marte. Parabéns. Um responsável colegial poderia notar que estavam usando medidas conflitantes, mas o salto e arrogância de anos de experiência faz com que as pessoas se achem donas da verdade.
Uma das amostras mais comuns de como idade e mentalidade são completamente desconexas, são as redes sociais e foruns online: existem pessoas jovens, com seus 13 ou 14 anos, que se não disserem conseguem se passar facilmente por adultos cultos e respeitados (por mérito, pois assim o são). Pessoas que param para pensar, refletem no que vão dizer e fazer, reconhecem seus erros, respeitam aos outros. Por outro lado, existem muitos adultos para lá de seus 40 anos que agem como crianças mimadas, fazem birra, batem o pé no chão e reclamam de tudo; e pior, não sabem aceitar uma crítica construtiva. Outro exemplo? queria ganhar R$1 cada vez que alguem lê um texto meu e o menospreza por erros de português ... a lingua é só um meio de comunicação, o fim é se comunicar, não ganhar uma cadeira na Sociedade Brasileira de Letras. A lingua conhecida como a menos ambígua do mundo (e portanto a melhor para se expressar), se traduzida literalmente para o português, pareceria com um texto aborígene ... estou falando do Japonês! Temos muitos fracassos super educados que escrevem muito bem no mundo, mas quantas vezes o pobre analfabeto que passa na rua falou algo com muito mais profundidade?
Em uma das comunidades que frequento, confrontado com o fato de existirem crianças que agem com maturidade, ou adultos que são verdadeiras crianças, argumentaram que esta é uma "exceção" à regra ... mas eu me pergunto, que regra? desde quando é regra que um colegial seja menos capaz e informado que um adulto? desde quanto é regra que adultos são eloquentes e maduros? Eu realmente espero que isto não seja uma regra e sim uma infeliz coincidência do comodismo e ignorância (e falta de educação) que permeia o ser humano: Inteligência e maturidade não tem relação com "tempo de uso". Com a atitude certa, você pode fazer o que quizer com 13 anos de idade. Inteligente não é aquele que sabe ou que tem facilidade em aprender, mas sim aquele que sabe que não sabe, e tem a capacidade de procurar e aprender. Não adianda ter um super cérebro e não usá-lo.
Não amigos, um garoto de 14 anos que discute como "adulto" não é exceção à regra alguma, dizer que existe esta regra ja é aceitar um preconceito que não deveria existir. É como inventar as infames "quotas" para negros nas universidades ... quem nunca teve preconceito, agora tem.
A conclusão? não julgue o livro pela capa, e aprenda a julgar a partir do que a pessoa É, FAZ e DIZ, e não a partir de rótulos que a sociedade (ou o tempo, ou a aparência) colocam em sua testa.
Tenho 31 anos, curso superior, mestrado incompleto e trabalho na área que gosto desde que tenho 5 anos ..... E DAI?